O primeiro dia do Julgamento de Dilma: no apagar das luzes, uma farsa para a posteridade

Hoje começou oficialmente o julgamento da presidente Dilma Rousseff no Senado. A presidente afastada é ré por crimes de responsabilidade. O caso é conhecido por todos, e tem base no pedido de impeachment protocolado pelos advogados Janaina Paschoal e Rodrigo Janot.

Não deixa de ser curioso o fato de que durante todo o dia, a defesa não se ocupou de outra coisa que não a desqualificação política dos adversários, pouco se ocupando de Dilma. Pelo contrário, até admitiram em algumas falas que Dilma de fato pedalou. Um comportamento estranho, histérico e agressivo. Quem assistia as cenas lamentáveis perplexo e não soubesse que havia uma gravação de um documentário em curso, não entenderiam o porquê daquela ópera bufa.

Mas vejam só: o tal documentário pretende “documentar a trajetória de Dilma nesses dias de ameaça do mandato conquistado nas urnas”. É gravado pelos cineastas Anna Muylaert, Cesar Charlone e Lô Politi. Anna e Cesar são notórios apoiadores do petismo. Mas quem é curioso nessa trinca é Lô Politi, que fazia parte da equipe de João Santana. Isso mesmo, aquele marqueteiro criminoso preso pela Lava Jato, cuja delação pode levar a própria Dilma para o cárcere. Mais interessante ainda é que ninguém explicou de onde será tirado o dinheiro que pagará essa obra prima.

Outra que também tem colhido cenas para uma produção (esta não só sobre Dilma, mas sobre o PT), é a cineasta Petra Costa. Ela também tem filmado o ex-presidente Lula em suas viagens. Isso explica as frases elaboradas e a postura canastra dos parlamentares da quadrilha com registro partidário e de suas linhas auxiliares. Também não se sabe quem está bancando a produção.

Tudo ali não passou de encenação, para as câmeras do documentário petista, par os autos do Senado e para as redes sociais. Declarações impetuosas, vozes impostadas e a falsa defesa da democracia de sempre. Nenhum daqueles petistas pretende defender Dilma. A afastada está isolada no Palácio da Alvorada, solitária e abandonada pelo PT. Tem puxado assunto até com os funcionários que até então destratava. O PT quer Dilma longe da presidência, mas fingem que estão defendendo quando só tentam prolongar a vida do plano criminoso de poder.

O espetáculo circense foi longe. Até Ricardo Lewandowski tentou se colocar como isento. Foi engraçado observar com ele tentou se colocar como uma figura distante das paixões partidárias. O que Lewandowski quis simular hoje foi a postura que deveria ser obrigatória para quem ocupa o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. O que não se esperava, é que ele fosse ter de desempenhar o papel em um momento tão conturbado para seus amos.

Sim, ele teve seus bons momentos. Principalmente quando foi contrariado pelos defensores de Dilma no plenário (os declarados). Chegou a emparedar Gleisi Hoffmann e a afirmar em tom altivo que “quem preside a sessão sou eu”. Para um membro da mais alta corte, acostumado a chicanas polidas e salamaleques, ver a bancada da chupeta gritando e atropelando o rito deve causar muita estranheza. O que diz muito sobre os petistas do Senado: são intragáveis até para Lewandowski.

O que se conclui dessa primeira sessão é que tudo corre como o previsto, tanto aqui quanto em outros portais: o PT não quer saber de Dilma, prefere ver o impeachment concluso para que Temer herde as ruínas deixadas por Dilma. Ato contínuo, irão para a oposição gritando golpe. Se o registro do Partido dos Trabalhadores não for cassado pelo Tribunal Supremo Eleitoral pelos crimes eleitorais praticados em 2014, a intenção é voltar em 2018 como oposição “contra tudo o que aí está”. No apagar das luzes, eles pretendem fazer o defunto agonizar mais. Querem apenas material para contar uma boa história.

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