O aval nuclear de um déspota e as pautas-bomba

 

Barack Obama tem demonstrado com ainda mais veemência nessa reta final de mandato a empatia pelo populismo que tem transformado a economia latina em um escambo contemporâneo. Dentre as ambíguas declarações que deu, exaltou o Brasil como sendo um grande ator global, o que não deixa de ter um lapso realista, já que a esquizofrenia que vem marcando o segundo mandato da presidente Dilma, encena dia a após dia a queda de seu governo. A diferença é que Obama, assim como os democratas que o exaltam como fruto de um ideal crucificado no berço do capitalismo ocidental, tem uma dura oposição republicana para enfrentar antes de abraçar tais ideais, o que infelizmente não o impediu de selar um acordo suicida com o presidente iraniano, Hassan Rouhani.

Anteriormente, um nome pouco familiar veio à tona após a morte do procurador argentino, Alberto Nisman, encontrado morto em janeiro desse ano sob explicações duvidosas do governo, Hashemi Rafsanjani. Nisman acusou o ex-presidente iraniano de ter envolvimento no atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994, que deixou 83 mortos e cerca de 300 feridos. Hashemi Rafsanjani, assim como Obama, é autor de frases perturbadoras e inconseqüentes não só ao longo de seu mandato. Durante a ofensiva americana ao Iraque, Rafsanjani já proferia ataques públicos alegando que a principal solução para a questão nuclear, era conquistar a confiança da Europa e da América e tirar as preocupações deles sobre a natureza pacífica de nossa indústria nuclear.

Em 2007, Rafsanjani com o aval do então presidente, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o Irã apóia osmujahidin, ou seja, não só os terroristas islâmicos xiitas, mas todos os combatentes extremistas que lutam sob a bandeira iraniana. Recentemente, o ativista conservador David Horowitz 16 razões pelas quais um acordo nuclear do governo Obama com o Irã podem ser tão catastrófico ao país, quanto as premissas keynesianas que marcaram seu governo em âmbito econômico. Obama e Dilma Rousseff compartilham de uma predisposição ao caos anunciado, o que os torna ainda mais mordaz aos países que governam.

No sentido figurado, mas não menos preocupante ao governo, o congresso brasileiro voltou do recesso parlamentar com as chamadas pautas-bomba em mãos. Dentre elas, a PEC que vincula os salários do advogado-geral da União e dos procuradores estaduais e municipais a 90,25% do salário de ministro do Supremo Tribunal Federal. A reação do governo foi imediata, e na última segunda-feira (03) a presidente Dilma promoveu um jantar para barrar as medidas e a pressão popular ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para que o mesmo não coloque em curso os pedidos protocolados de impeachment.

Como havia dito mais cedo, Eduardo Cunha pode até colocar-se inócuo aos processos de impeachment, mas em contrapartida, um único deputado aliado pode recorrer da decisão em plenário, tirando a responsabilidade das mãos do presidente e colocando à disposição da maioria simples dos presentes. Atualmente, 102 deputados são favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff, sendo assim, acredito que o totalitarismo do governo tenha selado um acordo com a opinião publica que resultou em uma bomba-relógio, que pode explodir a já turva imagem de Dilma e seus moldes progressistas como nunca antes visto na história da república. O Brasil pode transformar o impeachment de Collor em infantis tiros de festim diante da queda da atual presidente, basta sair ás ruas no próximo dia 16 de agosto e mostrar uma maciça oposição popular.

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O Minimanual do Militante Urbano

 

Carlos Marighella foi uma das mais torpes figuras já saudadas pela memória da esquerda progressista tupiniquim. Participou da primeira Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) apoiado pelo Castrismo, e dentre os inúmeros feitos contrários ao regime militar, comandou através da Ação Libertadora Nacional, o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em uma ação conjunta com o MR-8. Mas dentre todas as insanidades frutos da megalomania revolucionária defendida pelo guerrilheiro, seu principal legado bibliográfico é o ‘’Mini-manual do Guerrilheiro Urbano’’, publicado em junho de 1969 com finalidade de descrever e doutrinar os movimentos estudantis em atos contrários ao governo.

Mas através das décadas, os discípulos contemporâneos do déspota favorito do método Paulo Freire sofreram mutações e alteraram os passos outrora ditados por ele. Compreendam, a militância é um fenômeno que domina diversas esferas da sociedade brasileira atualmente, corrompendo desde instituições de ensino aos mais diversos canais informativos do país, e principalmente, a nossa alta cúpula congressista – a presidente é um perfeito exemplo, já que foi militante de VAR-Palmares. Mas sua principal fonte correspondente são jovens deslumbrados com um ideal utópico. Em ”A rede do Terror”, Calire Sterling descreveu os principais pontos que para Mariguella, tornariam um simples estudante em um terrorista urbano.

Dentre os principais pontos estavam a importância de aprender a dirigir um automóvel, pilotar um avião, velejar, ser mecânico e técnico em rádio, manter-se em boa forma física, dominar a fotografia e a química, adquirir “um perfeito conhecimento de caligrafia” para falsificar documentos, ser prático de enfermagem e farmácia, bem como enfermeiro de campanha “com algum conhecimento de cirurgia”. Hoje, os militantes nem sonham em cultivar essa base antes de aderirem por osmose a causas sanguinárias como o comunismo ou o socialismo, mas nutrem-se de um onisciente coletivo abjeto em que tudo os torna dignos de representarem minorias ou serem representados por caricatos representantes, ditos intelectuais progressistas.

Já entre os novos militantes, a esquerda vem tornando-se cada dia mais patética pois alçou um cunho poético e para ser representada conta com jovens de classe média, adeptos do poliamor, de um femismo turvo, de um déficit de atenção exorbitante, contrários as políticas de redução estatal e que sonham com um mundo em que socialismo e liberdade farão tanto sentido quanto as músicas do Chico Buarque ou os deslumbres econômicos de Piketty. Eu particularmente acredito em meritocracia, e dou total crédito a esses mesmos jovens representados pela JSB, UNE, Levante Popular da Juventude, UJS, PSOL e derivados, por galgarem o status caricato de militantes urbanos, onde ostentam o que de melhor o capitalismo e a liberdade individual podem lhes proporcionar só que em contrapartida recriminam quem realmente luta por uma república livre.

Para Mariguella, o guerrilheiro urbano precisaria usar a violência revolucionária para identificar-se com causas populares e assim conseguir uma base popular e partindo desse princípio, o resultado final resultaria em uma expansão incontrolável da rebelião urbana. Sinto informar a esquerda progressista e seus pupilos ativistas, mas vocês falharam mais uma vez.

O funesto êxodo sírio

 

A população síria encontra-se hoje rumo a um assombroso colapso populacional, atingiram o status de maior população de refugiados a partir de um único conflito em vinte e cinco anos –  sem previsões de uma possível retração demográfica. O país é uma bomba-relógio em escala territorial desde 1962, quando o então presidente, Hafez al-Assad, extinguiu as proteções constitucionais para os cidadãos sírios. Hafez al-Assad manteve-se no poder por trinta anos, passando o governo a seu filho, Bashar al-Assad, que vem controlando o país por dez anos a base de duras repressões a liberdade e aos direitos fundamentais.

Dado ao regime ditatorial e a revolta dos populares inflamada pelos discursos da oposição, os efeitos foram catastróficos chegando a colocar em alerta máximo diversos países vizinhos e até mesmo a estabilidade econômica de países emergentes em 2013, após os planos de uma intervenção militar americana em território sírio. A resposta do mercado foi instantânea,  já que o FED não teria outra escolha a não ser continuar imprimindo mais dinheiro do que o planejado, promovendo a desvalorização de moedas emergentes no continente, como a rúpia na Índia, e consequentemente convulsionando o mercado no Oriente Médio inflando o preço do petróleo.

Os horrores de uma guerra civil tornam-se conhecidos através da história, mas nunca antes o temor do pós-guerra teve tanta força em um único país. Essa hecatombe de fatores promoveram uma especie de ‘’êxodo contemporâneo’’, onde o número total de refugiados da Síria atingiram impressionantes 4.013.000 de pessoas, segundo dados do ACNUR – lembrando que um adicional de no mínimo 7,6 milhões de refugiados ainda encontram-se em deslocamento no território sírio em condições de extrema miséria. O fenômeno demográfico que derivou do totalitarismo sírio atrelado aos efeitos pós Primavera Árabe, superou os  4,6 milhões de refugiados do Afeganistão em 1992.

Faço uma arriscada estimativa de que nos próximos seis meses um ultimato da ajuda humanitária ao país seja dado, é uma questão lógica irreversível. Esse número preocupante de refugiados é composto por aproximadamente 1.805.255 sírios na Turquia, outros 249.726, 629.128 no Iraque, 132.375 na Jordânia, 1.172.753 entre Egito e Líbano e cerca de 24.055 espalhados pelo norte da África. O ACNUR tenta um auxilio baseado nesses dados de US $ 5,5 bilhões, no entanto, a partir de final de junho, apenas um quarto dos fundos humanitários solicitados tinham sido recebidos.

Bashar al-Assad vive em uma realidade torpe e inóspita contemplada por diversos outros ditadores, presidentes e célebres autoridades mundiais. No caso dele, acreditando ser digno do Nobel da Paz, como disse ainda em 2013, já que prefere alimentar um arsenal de armas químicas à população síria. Segundo Hayek, a liberdade concedida somente quando se sabe a priori que seus efeitos serão benéficos não pode ser considerado liberdade, compreendemos então por que os efeitos de ações que nascem da restrição a liberdade são propensos ao mais abjeto totalitarismo e consequentemente ao terror.

A extrema esquerda grega nas mãos das Moiras contemporâneas

 

Eis que as previsões desta coluna concretizaram-se quanto ao futuro grego nas mãos da coligação de extrema esquerda, Syriza – isso não foi um bom presságio. Ontem, o prazo para o primeiro-ministro grego, Aléxis Tsipras, saldar a parcela do bail-out concedido ao país em 2012 pela Troika chegou ao fim e ele não superou expectativas ao não saldá-la. Adam Smith em ‘’A Riqueza das Nações’’ pontuou o que acontece quando ações como as defendidas pelo Syriza frente a austeridade europeia, colocam em risco a economia de um país ao dizer; ‘’O êxito da maioria quase sempre depende da simpatia e da opinião favorável dos semelhantes; e sem uma conduta toleravelmente regular, é raro obtê-las.’’
Partindo desse principio, compreendemos que a revolta popular a promessa de um renascimento grego na economia europeia não passa de uma espécie torpe de ufanismo, já que em momento nenhum Atenas posicionou-se favorável a austeridade desde que Tsipras assumiu o cargo. Em contrapartida, o mesmo prefere culpar o que chama de ‘’forças conservadoras extremistas’’ pelo fracasso grego frente ao euro – posso estar enganado, mas acredito ter ouvido discurso semelhante, em que a presidente de um anão diplomático verde e amarelo culpará a crise mundial pelo recesso econômico do país que governa.
Compreendam, a Grécia tenta desesperadamente culpar a Alemanha pelo controle da economia do bloco, como se isso fosse algo pejorativo e conta com o apoio da oposição local que tem como contraforte o partido de esquerda Die Linke – a melhor defesa é o ataque (?). É uma questão de lógica, enquanto o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schauble, defende a austeridade do bloco para o equilíbrio do euro, Euclides Tsakalotosz, o vice-chanceler e atual conselheiro econômico grego defende um ‘’keynesianismo mainstream’’ outrora citado nesta mesma coluna. Não existe economia no mundo que refute o efeito borboleta de tais ideias.
Seguindo por um prisma racional e não ideológica, faço previsões de que Tsipras dará o braço á torcer antes do previsto. O BCE não continuaria a aprovar os fluxos de liquidez emergenciais aos bancos gregos se o país realmente estivesse pronto para sair da zona do euro. Voltamos a Adam Smith, lembram-se do ”êxito da maioria quase sempre depende da simpatia e da opinião favorável dos semelhantes” ? Então, as pesquisas de opinião nos mostram que cerca de 70% do eleitorado grego quer permanecer na zona euro, e contrariando a cartilha do Syriza, 57% desse mesmo eleitorado aceitaria isso mesmo que medidas mais enérgicas quanto a austeridade precisem ser tomadas.
Nesse momento, a sobrevida grega é mantida por um fio semelhante ao lendário ‘’fio da vida’’ controlado por Cloto, Láquesis e Átropos, as irmãs conhecidas na mitologia como Moiras, que decidiam o destino de deuses e humanos. Nesse momento, quem assume esses papéis são a Comissão Europeia, o FMI e o BCE e nem o mais alto escalão do Olimpo poderá questionar o destino da economia grega ante a irracionalidade da extrema esquerda após o ultimato da Troika.

Aléxis Tsipras, o presente de grego á Troika

Em outras oportunidades fiz questão de pontuar o quão ignóbil é o SYRIZA (Coligação da Esquerda Radical) comandado por Panos Kammemos e Dimitris Vitsas, mas dada as circunstâncias do eminente colapso monetário grego, vamos compreender o por que a economia planificada deu mais um exemplo de sua total ineficiência. O partido conseguiu eleger Alexis Tsipras, então líder do partido, como Primeiro-ministro colocando xeque a austeridade fiscal defendida pela Troika – coligação formada pela Comissão Européia, FMI e o BCE – ao país, tornando a dívida de € 320 bilhões superficial, mesmo correspondendo á 175% do atual PIB grego.

Um Primeiro-ministro que ignora o parecer pouco otimista do seu próprio ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, e coloca um vice-chanceler, Euclides Tsakalotos, a negociar em nome do país não pode ser levado á sério – o que destoa elogios á Tsakalotos, já que o mesmo acredita que as filosofias defendidas pelo Syriza possam ser qualificadas como um ‘’keynesianismo mainstream’’ e acha isso digno de algum respeito. Não é para menos que o acordo para balancear a economia grega parece cada vez mais inviável, Varoufakis lecionou na Universidade de Atenas, onde montou um programa de doutorado empenhado em retratar a economia como um ‘’concurso de idéias insolúvel’’ enfatizado em Marx e Keynes. Touché!

A zona do euro sofre para fazer o país honrar suas dividas e quitar pelo menos uma parcela do bail-out que lhe foi concedido em 2012, mas nem todos os envolvidos estão preocupados com o futuro monetário europeu. A França sob o comando do socialista croissant, François Hollande, acredita que o fato de Alexis Tsipras estar taxando as piscinas, oferecendo € 8 bi em elevação de impostos e propondo medidas pró-austeridade só nos próximos dois anos irão equilibrar a balança e tornar a Grécia digna de confiança novamente. Em uma comparação com os anões diplomáticos latinos, seria como se o Uruguai alega-se cegamente ao mercado internacional que mesmo com o título de risco-país, a Argentina ainda é uma aliada econômica digna de respeito. Hollande busca aliados, não bons pagadores diferentemente da UE.

Em contrapartida, o maior nome do lado oposto ao controle de Tsipras da grave situação grega é a Alemanha. Angela Merkel encontrou-se ontem com outros participantes da cúpula emergencial da zona do euro, decidida a resolver esse instável impasse econômico. Foi pontual ao dizer que qualquer acordo de ajuda financeira à Grécia terá que ter “uma certa visibilidade” quanto às maneiras como o governo grego será financiado por pelo menos um ano e quanto ao uso a ser dado aos recursos remanescentes do programa de assistência atual, segundo o Dow Jones Newswires. A chanceler alemã também disse que o Parlamento da Grécia terá de aceitar qualquer acordo antes de ele ser enviado aos Legislativos dos demais países da zona do euro.

Compreendemos então como um modelo de gestão financeira guiado por teorias que exaltam os incentivos a uma economia planificada, não honram suas dívidas. Poderíamos ainda dizer que Robert Nozick retratou o presente econômico grego em sua obra Anarchy, State, and Utopia ao dizer que; ‘’a exploração marxista é, no fundo, a exploração das pessoas sem compreensão de economia’’. Tsipras está se tornando o maior exemplo europeu disso.

Levem a Magna Carta, deixem-nos seus princípios

‘’A ingrata brutalidade dos reis em direção aos financiadores que os ajudaram sempre ganhou os aplausos populares’’ — Bertrand de Jouvenel

Eis uma época de celebração história para todo e qualquer defensor da liberdade individual e adeptos das políticas de redução estatal. Neste mês, comemora-se o 800° aniversário da Magna Carta ou Magna Charta Libertatum, cujo inscrições limitou o poder dos monarcas ingleses e impediu que um governante, na época o rei João, exercesse o poder absoluto sobre a Inglaterra e que tivesse seus devaneios sujeitos à lei. Acredito que tal documento seja o preceito histórico mais importante para qualificarmos o que parece utópico quando olhamos para o Brasil hoje, ou seja, o respeito a liberdade e aos pilares democráticos de uma república livre.

Não tentarei em nenhuma linha subsequente desse artigo buscar semelhanças entre os monarcas ingleses e os estadistas tupiniquins, mas sim, promover uma breve analogia cultural entre o que a Magna Carta representa enquanto constituição em contrapartida aos desmandos do Estado brasileiro. O país encontra-se rumo a um ajuste fiscal que visa não balancear custos e estabilizar a economia, mas subverter gastos ilícitos ao contribuindo que há muito já é lesado – ressaltando as seguidas correções nos juros, um IPCA á 8,47% e uma retração econômica de 1,3% em um cenário de estagflação. Como descreveu Bertrand de Jouvenel em ”Power: The Natural History of its Growth’’, o totalitarismo disfarçado nos levará a um única visão; “tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”.

A hecatombe de escândalos envolvendo meios não justificáveis para um fim de progressismo megalomaníaco exemplificado pelas ditas ‘’pedaladas’’ cometidas pela presidente Dilma Rousseff contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e sem respeitar a Lei Orçamentária, por exemplo, já seriam motivos suficientes para pontuarmos o déficit de limites que nossos governantes tem e nos conscientizar de como é possível um documento assinado há oitocentos anos ser referencial absoluto quanto a diminuição drástica do poder estatal e de submissão parlamentar ás leis vigentes, o que infelizmente não acontece. Falamos na ascensão dos movimentos de Direita no país, mas esquecemos do quão importante é o valor histórico e os danos causados por erros outrora cometidos e hoje exaltados, como os referenciais torpes de economia planificada.

Acredito ser de extrema importância – e os leitores dessa coluna já perceberam – citar exemplo de países que aprenderam com a história e não deixar de escarnecer o onisciente coletivo do brasileiro enquanto não tomarmos consciência de que os desmandos de um ‘’rei irresponsável’’, ou seja, o Estado incompetente como descreveu Alexandre Borges ao IMB, não criaremos uma conduta de repudio ao mesmo e consequentemente não teremos opinião crítica para refutar as mazelas e arbitrariedades de congressistas com âmago de realeza. Devemos tomar como ‘’mantra’’ o que está outorgado no histórico documento inglês; ninguém está acima da lei, nem o rei.

A exemplo de sua importância, referências a Magna Carta podem ser encontrados até na Quinta Emenda da Constituição americana: “Ninguém pode ser privado de sua vida, liberdade ou propriedade sem o devido processo legal”. Já no próximo mês, uma réplica será exposta em Brasília e findas as celebrações, retornará a Londres. Nos resta torcer para que os princípios ali descritos e aplicados à uma das economias mais livres do mundo semeiem bons frutos deste lado do globo.

Manifesto da Direita Festiva

O filósofo Luís Felipe Pondé apontou tempos atrás um dos defeitos da direita, sobretudo a brasileira: a direita é sisuda, engomadinha, por vezes adepta de um estilo de vida quase monástico. A direita brasileira interpreta o mundo sempre de maneira religiosa, sejam os liberais com o seu economicismo, sejam os conservadores com o moralismo. Perdem-se assim chances valiosas de avançar na guerra política.
A Esquerda sempre teve como principal característica sua capacidade de mobilizar jovens, artistas e intelectuais. Ela soma esses convertidos aos sindicalistas, ativistas políticos, ambientalistas e das várias causas progressistas, religiosos, jornalistas e a classe política propriamente dita. Em qualquer lugar do mundo a esquerda se impõe no cenário politico como um kraken: seus tentáculos se estendem por toda parte. Parece quase impossível escapar. Essa onipresença do pensamento revolucionário encoraja esses militantes a gritarem a todo o tempo: resistir é inútil. Isso tem um efeito psicológico imediato nas mentes da Direita. Não há jeito. Eles estão por toda parte. O triunfo dos Borgs vermelhos é uma questão de tempo.

Errado. Eles apenas tentam preencher espaços e mudar a estratégia. Sabem que é uma luta continua. Sabem que muitas vezes, o jeito é desviar o foco, escamotear suas intenções.  Curioso é ver como a direita observa tudo impassível, sabendo o que estão fazendo e permitindo que isso aconteça.
Os anos de hegemonia esquerdista no Brasil criaram no homem de direita uma completa aversão a coisas que de imediato, ele julga como características da esquerda. Se um filho de um conservador diz que vai estudar Ciências Sociais ou História, o pai já se preocupa com a possibilidade do filho se tornar um admirador de Foucault. Música, artes plásticas e para alguns até a literatura, são atividades próprias dos esquerdistas. O homem de direita passa a alimentar o mito de que só as Exatas valem a pena. As vanguardas artísticas, literárias e musicais se resumem a lixo. O “boemismo” é um comportamento que deve ser desencorajado. Piqueniques no parque, festivais de musica e saraus são coisas de desocupados.  Vamos tratar tudo com seriedade, pensa ele. O liberal passa a acreditar que tudo se resume a números e ao mercado. O conservador passa a idealizar tempos passados, a entender que não é um homem desse tempo. Ficam cada vez mais retraídos, mais taciturnos. Aos poucos vão se transformando na caricatura que a esquerda pinta: o coxinha neoliberal e o carola saudoso da ditadura.

Ainda outro dia, fui interpelado por celebrar em minha página a conquista do campeonato brasileiro pelo Corinthians. O motivo era que segundo o meu acusador, não deveríamos perder tempo celebrando o pão e circo, que segundo ele foram armados para acalmar os ânimos dos que pedem a saída da presidência.  Uma tese absurda, por sinal. A esquerda consolida seu monopólio nos setores abandonados pela direita. Como cínicos que são, passam a reescrever a historia segundo sua vontade. Dizem que todos os movimentos sociais são de esquerda, que não existem sociólogos de direita, que o rock é de esquerda, que o papel do teatro é transgredir.

A Direita peca pela ingenuidade, ao se comportar com uma disciplina proibicionista que a impede de propagar seus ideais de maneira mais ampla. A Direita se aferra em uma sobriedade quase vitoriana, e depois não entende porque sofre tanta desvantagem na guerra política. Não raro se comenta nas redes sociais que “protesto bom é protesto com palavras de ordem, com a denúncia do Foro de São Paulo e do plano de dominação comunista, que é diferente desse carnaval verde amarelo que se vê nas ruas.” “Ficam cantando ao invés de defender a Pátria”. Meus caros, erramos até hoje. Temos que melhorar  e muito.
Em qualquer parte do mundo, a esquerda é sempre hábil em reivindicar para si tudo o que há de bom e nobre. Não reivindica para si apenas o monopólio das virtudes, da luta pela liberdade, igualdade e fraternidade. Ela ainda se apropria das vanguardas artísticas, da evolução do pensamento, da modernidade, de tudo o que há de vistoso. O entretenimento, sobretudo, parece ser propriedade deles. Os jovens comparam os dois lados da moeda, e a imensa maioria se unem aos canhotos. “São mais divertidos”. Mais do que isso, a esquerda tem sempre um jeito de falar ao coração, enquanto a direita se divide entre o discurso corporativo liberal e a retórica moralista conservadora. Como diz Lobão, a esquerda tem um hype.
A reclamação que alguns fazem dos protestos e da sua aparente abordagem lúdica tem procedência quando se nota que destoa do que era feito por aqui. A nova direita tem uma retórica nova, procura conquistar corações e mentes. Sabe que fazer uma alma despertar da lavagem cerebral socialista não é tarefa fácil, por isso utiliza recursos diferentes. Para animar os protestos pró-impeachment, surgiu em Porto Alegre  grupo “La Banda Loka Liberal”. A bateria faz versões de marchas e cantos de torcidas organizadas para “oprimir” a esquerda.  Como não suportam humor, ficam aturdidos. Deu tão certo que passaram a excursionar pelo país, provocando tumulto entre as hostes esquerdistas. Por mais bizarro que possa parecer, alguns direitistas puristas se ressentiram. “Bateria não é coisa de gente direita” , li em um comentário postado em uma página conservadora.
Pois é. Isso autoriza gente como Beth Carvalho a declarar que “o samba é de esquerda”. Milhares de simpatizantes acabam entendendo que isso é verdade. A esquerda marca bem seu território. Enquanto em São Paulo o “Bloco Soviético” sai nas ruas no Carnaval, a direita vê e se indigna com a apologia ao totalitarismo. Ora, porque não foram lá fazer uma justa apologia à liberdade?
A Direita precisa se livrar do ranço, do saudosismo, do pessimismo. Precisa criar uma nova narrativa, mostrar quem é que de fato defende os direitos humanos, a liberdade e a fraternidade. Precisa ocupar DCEs, organizar coletivos, festivais de música, promover uma cultura alternativa. A Direita deve criar uma nova linguagem, criar vanguardas. Deve aprender a mostrar que nossa bandeira defende a liberdade, defende a vida em sua plenitude. Temos que desconstruir o establishment esquerdista. Deixar para trás esse quase militarismo. Até porque quem acha que a vida deve ser pautada por uma disciplina militar são os maoístas, stalinistas e afins. Nós devemos aprender a cantar a liberdade. A direita deve promover inovações literárias, formar movimentos sociais, fomentar o “comunitarianismo”. Deve levar arte e esporte para comunidades ao mesmo tempo em que luta por verdadeiras transformações sociais (nada de artesanato com garrafa PET). A Direita deve se colocar sempre na defesa da igualdade jurídica de cada cidadão e combater o elitismo. É assim que vamos enfraquecer a tese da luta de classes. Não devemos admitir o autoritarismo ou totalitarismo. Isso sim, é coisa de esquerdista.
A Direita deve ser acolhedora, disposta sempre a provar que suas bandeiras, no final das contas, é que farão a diferença na vida do pobre, do negro, da mulher e das minorias. Como defendemos princípios sólidos de moral e justiça, isso irá fazer a diferença na vida desses indivíduos. A Direita deve ter maturidade para saber que se um deputado cretino defende qualquer tipo de monstruosidade isso não se deve a orientação sexual do sujeito, mas sim ao seu péssimo caráter. Se uma presidente comete atrocidades, isso não se deve ao fato dela ser mulher. Margaret Thatcher era mulher e foi mais competente que conservadores como Neville Chamberlain. O homem de direita deve parar de associar certas pautas com a esquerda, como a defesa do meio ambiente e dos direitos humanos. A história nos mostra que foram eles os maiores agressores do meio ambiente e dos direitos humanos, quem defende essa ideologia e diz defender essas pautas não passa de mentiroso. Sua mentira só funciona porque a direita não faz nenhuma narrativa a respeito. Roger Scruton é um dos que defende a necessidade de se defender os recursos naturais, o que obviamente não significa impedir o progresso como fazem os ativistas de esquerda. As coisas boas são criadas lentamente, mas podem ser destruídas com muita facilidade. O desastre de Mariana é um exemplo.

.A Direita deve pregar o amor, pois na verdade é disso que se trata nossa luta. É por amor ao nosso país, aos nossos familiares, às futuras gerações e à própria humanidade é que desafiamos a lógica predatória da mente revolucionária. Devemos falar de esperança, de tempos melhores. O nosso produto é muito bom, mas a nossa embalagem é péssima. Temos que falar ao coração dos brasileiros. O que propomos é que a Direita deixe para trás o que não funcionou até hoje. Vamos idealizar o que é belo moral, enquanto cantamos a vida com nossos lirismos. Vamos nos permitir a aproveitar a vida em toda a sua plenitude. Isso não significa abandonar nossas bandeiras, significa que atingimos a maturidade de perceber que nossa posição não é um fardo, mas sim uma honra reservada a poucos. Vamos em frente, com uma direita festiva.

A Esquerda Saramandaia

 

Semanas atrás, o noticiário trouxe as imagens da ocupação de escolas em São Paulo com a adesão de famosos e supostos intelectuais ao movimento, shows de artistas engajados em apoio aos alunos e as clássicas cenas de enfrentamento a polícia. Hoje, o caso mais próximo disso é a decisão do Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife, que decidiu aprovar o prosseguimento do projeto Novo Recife. A decisão contou com 21 votos a favor, dois contrários e duas abstenções. Do lado de fora da Prefeitura recifense, militantes do Ocupe Estelita promovem um ato contra a decisão. Junto com os jovens alternativos, movimentos como CUT, UJS e congêneres. Segundo eles, a área do cais Jose Estelita não pode ceder “á especulação imobiliária”, e deve ser preservada e transformada em espaço de cultura para os moradores da cidade. Na mesma linha estão os manifestantes do Parque Augusta, em São Paulo. Apesar de São Paulo ter vários parques, vários jovens moradores das imediações da Paulista protestam contra a decisão de se construir um condomínio residencial na Rua Augusta. Eles querem mais um “espaço urbano humanizado”. No mesmo dia, o titã Paulo miklos se unta com Chico Buarque e Dado Villa Lobos para gravarem uma musica de protesto. Protesto contra o governo autoritário e corrupto de Dilma Rousseff? Não. O protesto é contra a reorganização escolar proposta por Geraldo Alckmin. Em tese, o que se vê aqui é o esquerdismo Saramandaia.

Na fantástica obra do comunista Dias Gomes, uma pequena cidade da zona canavieira de Pernambuco se divide entre tradicionalistas e “mudancistas”. Os “mudancistas” querem mudar o nome da cidade de Bole-bole para Saramandaia, enquanto os tradicionalistas defendem argumentos históricos para a manutenção do nome. As duas facções são representadas por duas famílias principais, a família Rosado e a família Vilar. Entre os tradicionalistas, os religiosos e devotos da cidade, o diretor do centro cívico Aristóbulo Camargo, comerciantes, donas de casa e autoridades. Do lado dos “mudancistas”, estava a elite progressista, os estudantes, os poetas e os intelectuais. A cidade atemporal de Bole-bole era um microcosmo da luta entre a direita conservadora e a esquerda progressista. O que dramaturgo fez ali foi uma propaganda da revolução socialista camuflada de realismo fantástico, driblando a censura do Regime militar com um enredo baseado no conflito de ideias. Deu certo. Como a maioria dos ideólogos de esquerda, Dias Gomes era muito inteligente. Eles sempre são: quem é quadrupede é a militância.

Nota-se que o argumento dos mudancistas para trocar o nome da cidade é muito irrelevante; eles dizem sentir vergonha de Bole-bole. Mas ao serem perguntados do porque Saramandaia não sabem explicar as razões de sua militância: definem apenas a mudança como um estado de espirito, como uma mudança de paradigmas. No fundo o que eles querem, é acabar com a tradição, romper com o passado, refazer a história.

Assim são os diversos movimentos da esquerda lírica, com suas pautas difusas e seu total distanciamento do resto da sociedade. Desde as jornadas de Junho de 2013 até o Ocupa Sampa, e agora com o #Virada Ocupação, o que se vê é um sentimento de completa alienação que une milhares de pessoas em torno de uma causa irrelevante, mas que dá a eles o sentimento lúdico de que “estão participando de uma revolução”. De maneira superficial, eles se esforçam para reproduzirem cenas semelhantes ao Maio de 1968, quando estudantes manietados por sindicatos e pelo Partido Comunista Francês se organizaram em torno de uma greve contra o presidente Charles de Gaulle. Os storytellers da gauche nos contam sobre as novas ideias pregadas por jovens idealistas, sobre a união de jovens burgueses e operários, sobre o despertar de uma nova consciência. O que não nos contam é que de um lado havia o governo democrático de De Gaulle, o general que comandou a resistência francesa contra os nazistas, e do outro os radicais da esquerda que admiravam nomes como Mao Zedong, Joseph Stalin e Enver Hoxha De fato havia uma luta entre ditadura e liberdade; de um lado um general que lutou contra o nazismo e rejeitou as ideias de grupos radicais da direita e da esquerda, do outro indivíduos que admiravam regimes de carniceiros.

O que se vê nessas ocasiões é sempre uma panaceia em torno de uma ideia forjada por grupelhos que não desfrutam da simpatia popular. Eles não podem mudar o status quo, para isso buscam espalhar suas sementes totalitárias no solo fértil das mentes adolescentes. Alguns adultos mais imbecilizados, como e o caso da chef Paola Carosella, logo ficam maravilhados diante da “coragem e disposição desses jovens”. Que coragem? Que disposição? Lutar para manter uma área degradada no meio de uma grande cidade como território livre para prostituição, violência e trafico como queriam os neohippies do Ocupa Estelita é gesto de idealismo? Jovens ricos lutando contra a geração de milhares de empregos diretos e indiretos em Recife e São Paulo nos casos do Cais Estelita e Parque Augusta, por acaso requer coragem? Promover arruaça no metro da Sé depois da rendição do governador com relação à reorganização escolar é sinal do que exatamente?

Em Saramandaia, os mudancistas também eram hipócritas, arrogantes e superficiais. Na versão de 2013, há uma cena em que o mudancista Pedro Viana (Nato Tavares na versão de 1976) é chamado ao dialogo com o bole-bolense Zico Rosado. A resposta dele é clara: “não tem conversa com bole-bole”. É essa a disposição ao diálogo de quem lidera esses grupos. São indivíduos autoritários que pretendem estabelecer uma nova ordem: a deles. No final do folhetim, a cidade muda de nome e a revolução vence. Aos opositores das novas ideias só há um caminho: a morte ou a conversão. Sim, a nova consciência parece ter sido concebida por Maomé.

Em qualquer uma dessas movimentações, se vê aberrações como jovens do 3° colegial reclamando sobre decisões que não irão afetar suas vidas ou burgueses que nunca andaram de ônibus depredando patrimônio público e privado em protesto contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens. Ninguém ali se preocupa com as verdades, apenas com o aspecto da estética revolucionária. No fundo, essas ações da esquerda não passam de uma grande feira das vaidades, sob medida para inflar os egos de quem quer mostrar aos outros “que não se conforma com o que aí está”. As pautas desses movimentos são sempre as mais egoístas possíveis, os propósitos, os mais cretinos. A televisão combinada com o advento das redes sociais e a decadência do jornalismo é que nos trouxeram ao tempo da Civilização do Espetáculo (como bem descrito no brilhante livro de Mario Vargas Llosa). Sendo assim, vivemos tempos em que tudo é banalizado, desde as artes até os costumes. A frivolidade, o sensacionalismo e o hedonismo imperam. Graças a essa tempestade perfeita, temos efeitos colaterais como esses falsos movimentos de libertação capitaneados pela esquerda, que não passam de uma ópera bufa. Apesar do caráter absurdo e da já destacada superficialidade, esse tipo de fenômeno é efetivo em conquistar seus dois objetivos principais: ajuda grupos autoritários a conquistarem mais ovelhas para o rebanho e a estabelecerem pautas próprias à sociedade, independente do que a esmagadora maioria pense sobre aquilo. E é claro, permite que jovens indolentes inebriados pelos vícios do capitalismo possam brincar de revolução. De certa forma, do lado deles todos ganham

 

O Machado de Vaculík e a Revolução do Veludo

Há poucos dias perdemos além de um exímio escritor e jornalista, um dos mais importantes opositores do comunismo na Europa, Ludvík Vaculík faleceu aos 88 anos. Quando citamos os efeitos catastróficos da economia planificada na Europa, pouco ouve-se falar sobre a quebra democrática do Estado tcheco e da ascensão do comunismo no país no início de 1948. Anteriormente, a República Tchecoslovaca havia se tornado um dos dez países mais desenvolvidos do mundo – tendo o titulo revogado com todas as propriedades privadas sendo desapropriadas e tendo a liberdade política e opinião pública suprimidas através do totalitarismo comunista. Em 1968, o país foi invadido pelo exército soviético e Vaculík assistiu ao lado dos movimentos opositores o país ser destruído pela aliança do Pacto de Varsóvia.

Dentre todas as suas intervenções contrárias ao regime comunista, Vaculík ganhou notoriedade mundial com o romance ‘’O Machado’’ no qual incorporou ao teor satírico antes usado por George Orwell em ‘’A Revolução dos Bichos’’ de uma forma ainda mais lúdica, contemplando-nos com a história de um homem que antes favorável ao regime checo posterior à Segunda Guerra Mundial, mas cujo apreço do mesmo e de sua família por este regime se transformara em completa desilusão após contemplarem o ideal comunista em curso – transcrevendo seu próprio desalento com o regime já que havia integrado o KSČ. Já em 1972, Vaculík fundou uma editora clandestina sob os açoites de uma Tchecoslováquia controlada pelos soviéticos e assinou um manifesto conhecido como ‘’Carta 77’’ contra o governo vigente.

Vaculík acreditava que uma obra universal não é aquela que se traduz em muitas línguas mas aquela que por meio da qual o mundo aprende algo mais sobre a língua em que esta escrita e a sociedade que descreve e sob esse preceito foi um dos mais ativos manifestantes na dita ‘’Revolução do Veludo’’ iniciada em 17 de novembro de 1989 levando meio milhão de civis ás ruas levando a queda do Partido Comunista da Checoslováquia. O país passou por um colapso rumo a democracia, passando pela eleição e renúncia de seu primeiro presidente não-comunista, Gustáv Husák, em poucos dias e posteriormente elegendo como presidente do parlamento federal Alexander Dubcek e Václav Havel, presidente em 29 de dezembro de 1989.

A atual República Tcheca livrou-se do comunismo aprendendo com a história como o viés totalitário de genocidas esquizofrênicos podem promover atrocidades quando impostas sem o menor pudor ou consequências posteriores. Hoje, o país emerge aos poucos de uma crise econômica agressiva – após aderir a políticas econômicas ineficientes com a adesão ao ATLANTIS no lugar do PEACE – e tem em memória Ludvík Vaculík como um dos maiores defensores da liberdade e nomes como do ex-presidente e doutor em Economia pelo Instituto de Economia Tcheca de Ciências, Václav Klaus, como assíduo representante do movimento conservador no país.

Acredito que exemplos históricos como o de Vaculík e os efeitos de regimes totalitários como os que outrora assolaram a Checoslováquia e outros tantos países, são de extrema importância para compreendermos que as manifestações de repúdio ao chavismo que vem controlando a Venezuela, destruindo a economia argentina, sufocando os equatorianos e tornando o Brasil um risco-país são de extrema importância para combater qualquer forma de governo que preze pelo progressismo e não pela liberdade de uma república livre.

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